Um plano pessoal de engajamento da prática do ensino

Por Matheus de Vasconcelos Casimiro.

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As aulas assistidas na Disciplina “Questões de Ensino em Arquitetura e Urbanismo” suscitaram diversas indagações e mais incertezas do que certezas absolutas acerca dos caminhos a serem trilhados na prática professoral. Creio ser essa condição positiva, pois uma das frases mais repetidas em sala de aula é que os bons professores são os que mais questionam a sua formação e ação, ou seja, que questionam a própria prática de si. Dessa forma, o sentimento da “segurança” ou das “certezas” seria antagônico a essa condição, e, de certa forma, até indesejável para a boa realização do trabalho do professor, pois, devemos entender que suas atitudes são passíveis de confrontamento e melhorias. Se portar com uma postura humilde, revelando efetivamente uma intenção de melhorar a vida do alunado, pode ser uma resposta mais assertiva para se alcançar o sucesso na prática dessa ocupação.

Para o desenvolvimento de uma carreira professoral satisfatória, saudável e almejando o reconhecimento, é indicado se apoiar em princípios de professores experientes, em especial para os iniciantes, como é o meu caso. São posturas que podem dar subsídio ao melhor desempenho de uma prática em sala de aula, mesmo em meio ao contexto de tantas incertezas. Tomando-se como referência o livro “Advice for New Faculty Members”, do Robert Boice, tentei organizar três frentes de atitudes importantes a serem desenvolvidas, calcado na própria divisão do livro que aconselha o aprimoramento pessoal em três áreas do professor acadêmico: melhoria na prática professoral em sala de aula; avanços na produção técnica escrita; e a instituição de bons relacionamentos profissionais com outros pares da área técnica. Assim sendo, seguem pontos a serem desenvolvidos em curto prazo de tempo:

 3.1. Prática na Sala de Aula

– Fazer estágios docentes e dar aulas como palestrante/professor convidado;

– Realizar palestras nas áreas técnicas que almejo lecionar;

– Desenvolver trabalhos técnicos de relevância na prática profissional afins ao interesse da academia;

 3.2. A Prática da Escrita

– Desenvolver leituras da área que auxiliem na formação de um repertório técnico;

– Fazer leituras direcionadas de artigos técnicos para entender formato e padrões desejados;

– Ter o hábito de escrever sobre questões pertinentes da área;

– Estar atendo a fóruns, seminários e congressos da área;

 3.3. A Formação de Vínculos Sociais

– Participar de atividades promovidas pelas universidades;

– Manter contato com pesquisadores da área;

– Me prontificar a participar de projetos e grupos de pesquisa, sendo útil para professores em exercício.

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Post sobre os desafios enfrentados por alunos e professores de arquitetura e urbanismo hoje

Por Rodrigo Mindlin Loeb.

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“Contemporâneo é aquele que mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas sim o escuro. Todos os tempos são, para quem deles experimenta contemporaneidade, obscuros. Contemporâneo é, justamente, aquele que sabe ver essa obscuridade, que é capaz de escrever mergulhando a pena nas trevas do presente.” Giorgio Agamben

Como ensinar arquitetura e urbanismo quando o mundo parece estar passando por um processo de ruptura e crise de uma escala jamais experienciada? Quando quase 40 milhões de brasileiros não tem moradia adequada, quando as grandes cidades têm áreas de extrema vulnerabilidade e violência?

É preciso ter em perspectiva que toda a atividade profissional e formativa precisa adquirir definitiva e amplamente um papel e uma contribuição de transformação social. Esse papel pode ser desempenhado a partir de múltiplos eixos e pontos de vista.

Ensinar arquitetura e urbanismo exige o olhar para esta multiplicidade de pontos de vista, exige um posicionamento contundente em relação a urgência de transformação de uma realidade aonde a maioria dos habitantes deste pequeno planeta vive em condições inaceitáveis de vulnerabilidade e falta de oportunidades e direitos humanos.

Estar presente no momento do encontro com alunos, compartilhando, adquirindo e produzindo conhecimento, disponível a promoção de um diálogo e interlocução ao mesmo tempo espontâneo e qualificado é prerrogativa do professor, nem sempre fácil de se atingir.

É preciso sempre ter curiosidade sobre esses alunos que estão ali diante de nós na sala de aula, acreditar que todos têm um enorme potencial e uma plasticidade latente aguardando o estímulo adequado para se desenvolver.

Post individual para a disciplina: questões de ensino de arquitetura e urbanismo

Por Júlio Barretto Gadelha.

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 Se é assim, por que que é assim? Não pode ser diferente? Acho que essa frase diz muito sobre as possibilidades de uma reflexão sobre o ensino de arquitetura em nossos dias de hoje, e qual caminho sugerir para um olhar mais sensível sobre o futuro que nos espera.

Devemos entender a diversidade de pensamentos como a coisa mais importante para se trabalhar. As possibilidades de propostas diferentes para um mesmo tema é o que move a discussão e o entendimento do mundo a nossa volta.

A importância de se pensar a cidade REAL com suas possibilidades de transformação, é essencial para que nós professores e professoras de Arquitetura e Urbanismo, possamos desenvolver ações que solicitem um pensamento “fora da caixa”, no sentido de ter um posicionamento crítico em relação a forma de se passar conhecimento na universidade.

A relação direta de estudantes com o estudo do território, com as possibilidades de criar e transformar espaços, com a interação com a sociedade civil deve ser parâmetro para ações de ensino de PROJETO.

O projeto de arquitetura como catalisador de saberes, onde o estudo acadêmico se reverta como possibilidade de novos olhares sobre nossa realidade brasileira. Ser local, ao mesmo tempo sendo universal.

Sinto que nós como arquitetos e arquitetas, professores e professoras, cidadãos, devemos ter consciência da tamanha desigualdade social em que vivemos. É urgente que a universidade atue e proponha, exercícios práticos e/ou teóricos em áreas de vulnerabilidade social de nossas cidades. Para que o futuro arquiteto e a futura arquiteta, tenham entendimento do papel social de nossa profissão.

Uma dica: parafraseando o arquiteto Vilanova Artigas, a sala de aula é a CIDADE, a cidade é a SALA de AULA.

Post individual

Por Fernanda Critelli.

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Ensinar Arquitetura e Urbanismo não é tarefa fácil! Como instigar as alunas e os alunos a se interessarem na discussão sobre algo tão complexo quanto a arquitetura, mas sem se perderem em questões de gosto pessoal? Como fazer da sala de aula o laboratório de ideias necessário para o desenvolvimento dos projetos na vida real? E mais, como fazer com que as alunas se identifiquem em um universo de voz predominantemente masculina?

Os desafios dos professores de Arquitetura e Urbanismo ficam ainda maiores quando pensamos na inserção das novas ferramentas de projeto, mas sem perder a questão do croqui de estudo rápido, à mão livre, tão característico dos arquitetos. Agregar a nossa realidade – as novas tecnologias de informação e produção, a predominância das mulheres na profissão e a questão das minorias – ao ensino de arquitetura passa a ser tão importante quanto o estudo da História, Teoria, Técnicas Construtivas, Projeto, Urbanismo, Paisagismo, etc. Dessa forma, teremos alunas e alunos mais envolvidos e interessados, identificando a si mesmos nesta profissão tão diversificada e tão enriquecedora que é a Arquitetura e Urbanismo.

Indagações sobre ensinar AU

Por Arthur Justiniano de Macedo.

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Estudar a prática professoral e produzir um texto sobre o assunto não foi uma tarefa fácil, pois me fiz questionamentos que de fato ainda não vivenciei de perto, por outro lado me foi extremamente válido e empolgante, me abrindo o olhar para um futuro que um dia será realidade.

Procurei escrever de forma à apresentar as perguntas que me faço sobre a profissão de lecionar, e outras que o próprio oficio já carrega com sigo.

Ao mesmo tempo em que discorro sobre as dúvidas e procuro encontrar respostas com embasamentos teóricos, tomei a liberdade de homenagear um antigo professor, que foi de grande importância para a minha formação como arquiteto, e sem dúvida também será importante para a minha formação como professor. Como digo no texto, pretendo em um amanhã distante, quando a prática professoral já me for uma tarefa rotineira, reler este inscrito, e realizar uma auto-avaliação, pretendendo escrever um novo texto como novas indagações que o tempo me apresentará. Lecionar é um ofício belo, porém árduo, carrega consigo inúmeras dúvidas e responsabilidade, manter esse estudo constante é de grande valor para uma realização profissional e pessoal.

Desafios da prática professoral no ensino da arquitetura e urbanismo: uma visão pessoal

Por Andraci Atique.

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Os desafios ao abordar esse tema começaram pra mim na tentativa de uma auto reflexão. Parafraseando minha orientadora de mestrado e doutorado Ana Gabriela Godinho Lima, que tanto me ensina, “ser professora, ou ser professor, é um trabalho que traz infinitas oportunidades de transformação, se permitirmos. Quando as alunas e alunos sentem que, de alguma forma, transformam você, elas e eles também se permitem ser tocados”. Na prática professoral esse processo de transformação ocorre em conjunto, ao longo de uma aula.

Ao tratarmos de questões como “organizar e dirigir situações de aprendizagem”, “administrar a progressão das aprendizagens” ou “envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho”, sugeridas por Perrenoud (2000), entendemos a importância de trabalhar aspectos pessoais relacionados a forma “como aprendemos” ou “fomos marcados” durante nossa própria vida escolar. Nesse sentido, uma das reflexões que pude colocar em prática, foi de não desestimular uma aluna ou aluno, ainda que ela ou ele não tenha ido tão bem em um trabalho ou tenha problemas com incivilidade em sala de aula. Buscando entender quais são os indutores para as incivilidades e quais ferramentas eu preciso para desenvolver a atividade professoral.

Outra prática discutida durante o curso, e que me pareceu bastante eficaz no sentido de sanar tais questões, foi a elaboração de um sumário executivo sobre o assunto proposto em aula, assim, quem executou a tarefa se situa melhor e quem não executou tem a chance de se situar. Essa questão, contemporânea, é uma forma de controlar as incivilidades por meio da colaboração do grupo, isto é, oferecer uma solução e não impor uma autoridade excessiva. Uma vez que entendemos que atitudes de respeito e cortesia do professor em relação ao aluno é a melhor forma de controlar as incivilidades.

Post projeto professoral

Por Vagner Bordin Magni.

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Um grande desafio para o professor é manter seus alunos interessados no tema proposto na sala de aula, para tanto é importante para o professor criar certa cumplicidade com o seu grupo de alunos, de modo que ele se torne mais um do grupo, mas que o aluno veja no professor um parceiro que lhe ajudará no seu conhecimento e futura carreira, como se fossem todas partes integrantes de uma equipe.

Na primeira aula da disciplina de Questões de ensino de Arquitetura e Urbanismo a professora Dra. Ana Gabriela Godinho discutiu conosco os horários das aulas; horário de início, de intervalo, de encerramento, num processo bem democrático. Com certeza essa atitude criou com nós alunos um vinculo de cumplicidade e também um estímulo ao trabalho em equipe. Era como se todos nós estivéssemos juntos no mesmo barco rumo a um semestre de aprendizado.

O professor tem a tarefa de transferir conhecimento e informações ao aluno, mas não podemos esquecer-nos de um ponto importante, que é a responsabilidade ao aluno de ser formar profissionalmente. O professor tem o dever de passar as ferramentas e como usá-las, mas vai caber ao aluno escolher seu caminho de aprendizado e formação.